O simples fato de permanecermos vivos está quase fora de nosso próprio
controle. As sensações de clareza e escuridão nos fazem produzir forças para
continuarmos vivos. Desse modo, o ser humano é na realidade um autômato, e o
fato de sermos sensíveis, temos sentimentos e conhecimento do mundo ao nosso
redor. É através desse conhecimento, que sentimos os sinais e sintomas de
algumas doenças, suas causas, conseqüências e seus possíveis tratamentos. Neste
trabalho iremos orientar a população e os acadêmicos de enfermagem sobre doença
tão temida do século XXI a Aids, e mostrar à elas de como é feito a prevenção,
a trajetória da doença, seu modo de transmissão, o tratamento e também orientar
os profissionais de saúde, quais os devidos cuidados que os mesmo devem ter com
os portadores desta síndrome.
AIDS/ HIV
A Aids é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, tem esse nome em
função da deficiência imunológica generalizada que se observa em seus
portadores. A causa dessa deficiência, é que o organismo do indivíduo não é
mais capaz de combater as principais infecções causadas por patógenos com os
quais se defronta.
O vírus da Aids é o HIV( Vírus da Imunodeficiência Humana), é o agente
causador da Aids, constituído de RNA e pertence à família Retroviridae. Onde
existem dois tipos de HIV: o HIV-1 e o HIV-2. O HIV-1, é o mais prevalente,
onde esta disseminado em todos os continentes do globo. O HIV-2, possui uma
distribuição geográfica mais limitada, restrita a países do continente
Africano.
Esses dois tipos são classificados em grupos e subtipos de acordo com à
variação do vírus. Seu mecanismo de ação ataca as células denominadas de
linfócitos, os quais compõem os glóbulos brancos presentes nos tecidos
linfóides, e circulam no sangue e nos vasos linfáticos, agindo na síntese de
anticorpos e combatendo assim as infecções.
O HIV tem uma
forte atração celular pelos linfócitos T do organismo humano, principalmente as
células auxiliadores T, invadindo-as, replicando-as em seu interior e
finalmente destruindo-as.
As células alvo do vírus são os linfócitos TCD4, que são importantes na
resposta imunológica global, elas comandam e modulam toda atividade de “
ataque” do sistema de defesa à um determinado agente agressor. A infecção
dessas células leva a uma série de defeitos imunológicos, com diminuição e
morte das células T4 e diminuição da função das células T8, macrófagos e
células B. Como ocorre a morte dessas células o organismo humano não consegue
mais defender eficientemente contra os agentes agressores, desenvolvendo
infecções oportunistas e neoplasmas.
A Aids é um distúrbio causado pelo vírus da imunodeficiência humana, e
caracterizado pela presença de infecções oportunistas. Este vírus tem sido
encontrado em todas as secreções humanas: sangue e derivados, sêmen, secreções
vaginais, urina, leite materno, lágrimas, saliva, e entre outras.
TRAJETÓRIA DA AIDS/ HIV
A trajetória da Aids/HIV começa no início do século XXI, completando
vinte anos de sua descoberta, o primeiro caso registrado foi nos meados na
década de 1980 mais sendo descrito apenas no ano seguinte. No ano de 1980 os
primeiros casos foram conhecidos nos Estados Unidos, a partir de um número
elevado de homossexuais e seus clientes que apresentava pneumonia, por
predominar em homossexuais passou a ser chamada de GRID ( Deficiência
Imunológica Relacionada aos Gays ). Em 1982 surgiram novos casos não
relacionados à homossexualidade mas sim de usuários de drogas injetáveis,
clientes que receberam transfusão de sangue e em crianças recém-nascidas, assim
sendo rebatizada de Aids( Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), mas sua
forma de transmissão não era reconhecida. Já no Brasil acredita que tenha
chegado na década de 1970.
De 1993 à 1997 muitas coisas aconteceram, foi divulgada a descoberta do
agente etiológico da Aids, dois grupos de cientistas do Instituto Pauster de
Paris, batizaram o vírus de LAV e o outro de HTLV-3, que mais tarde ouve
esclarecimento e foi denominado de então de HIV significando Vírus da
Imunodeficiência Humana.
Já no Brasil no ano de 1985, o Ministério da Saúde cria o Programa
Nacional de Combate a Aids por meio da Portaria de n° 236, assim por meio dessa
criação estabelecendo a primeira diretriz contra o enfretamento dessa epidemia
no país.
No ano de 2006 Brito et al, analisaram 8703 casos de Aids em menores de
13 anos, notificados no SINAM até abril de 2004, e identificaram que 61,7% dos
casos concentravam-se na região Sudeste e 25,2% na região Sul.
A DOENÇA PELO HIV NA CRIANÇA
O HIV é mais complicado em crianças do que em adultos, o seu principal
motivo é a sua imunidade, por isso as crianças infectadas pelo HIV podem ter
infecções que ameaçam a vida da criança,
principalmente a relacionada as bactérias Haemophilus e Straptococus. No
recém-nascido pode ocorrer pela transmissão congênita ou pré-natal, assim
ocorrendo a transmissão ocorrerá impacto no sistema nervoso, não ocorrendo o
desenvolvimento da criança, mas se não atingir o sistema nervoso existem outras
patologias, como herpes simples e hepatoesplenomegalia e entre outras.
No grupo infantil há três populações que são principalmente afetadas:
crianças expostas in útero pela mãe infectada- transmissão vertical via placenta,
deslocamento prematuro da placenta, corioaminonite, procedimentos invasivos;
por ocasião do parto pela passagem de linfócitos maternos para o sangue do
feto, procedimentos invasivos-, amniocentese, ruptura de membranas por mais de
quatro horas, parto vaginal: por meio da amamentação; crianças que receberam
hemoderivados- hemofílicos.
As manifestações clínicas da Aids em crianças podem ser agrupadas da
seguinte forma, conforme sua idade:
● em todas as crianças: retardo do crescimento, hepatoesplenomegalia,
pneumonite intersticial crônica, linfadenopatia generalizada, infecções
bacterianas e virais;
● em lactantes: candidíase oral, retardo do crescimento, angustia
respiratória secundária à pneumonia;
● em infantes: parotidite, doenças neurológicas, anormalidades de
desenvolvimento, febre prolongada e recorrente e dificuldade de ganhar peso.
Algumas crianças são não assintomáticas, não apresentam qualquer sinal ou
sintoma considerado como resultado da infecção por HIV. Outras podem ser
levemente, moderadamente ou intensamente sintomáticas. O diagnóstico pode ser
feito com o teste para HIV na mãe, no recém-nascido e nas crianças por meio dos sinais clínicos apresentados pela
criança.
A assistência de enfermagem tem por objetivo minimizar a exposição a
infecções, dar suporte nutricional, proporcionar medidas de conforto e avaliação;
reconhecer alterações no estado de saúde que possam levar a complicações; e dar
suporte emocional.
MODO DE TRANSMISSÃO DA AIDS
A transmissão da Aids ocorre através das seguintes formas; transmissão
sexual contato homo, hetero ou bissexual; através de transfusão sanguínea que
pode ocorrer por exposição de mucosas a sangue, hemoderivados ou instrumentos
contaminados pelos vírus como por exemplo usuários de drogas injetáveis;
transmissão vertical ocorrendo da mãe
para a criança, principalmente no parto é também na amamentação e também pode
ocorrer transmissão ocupacional se relaciona a profissionais de saúde que sofrem
ferimento por materiais perfuro cortantes contaminados com sangue de pacientes
infectados pelo HIV.
CUIDADOS QUE OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DEVEM TER COM OS PACIENTES
PORTADORES DA AIDS/ HIV
Os profissionais de saúde devem ter alguns cuidados ao lhe darem com
os pacientes portadores da Aids, para se
prevenir a propagação do vírus;
● fazer educação em saúde sobre as formas de contágio e preconceito para
com os portadores;
● estimular nossa interação social, face às alterações em conseqüência
das limitações físicas das hospitalizações e dos estigmas sociais em relação ao
HIV;
● proporcionar suporte psicológico à família para suprir suas
necessidades e as dos pacientes;
● minimizar a exposição do paciente a microrganismos infectantes, com o
uso da técnica de lavagem das mãos;
● orientar os visitantes para que lavem as mãos antes de entrarem em
contato com outras pessoas;
● limitar o contato do paciente com pessoas com que têm infecções,
explicar-lhe os riscos que ela corre e solicitar sua compreensão e cooperação;
● empregar sempre técnica asséptica na realização de procedimentos;
● incentivar o paciente a participar de atividades com outras pessoas e
com sua família;
● orientar o paciente quanto aos riscos de transmissão da doença( uso de
preservativo, transmissão via sexo), e incentivá-lo a expressar seus
sentimentos e preocupações com sua sexualidade;
● avaliar a presença de dor e a irritabilidade e empregar medidas de
conforto e/ou medicamentos conforme indicação;
● adotar medidas de enfermagem, de acordo com a sintomatologia, como:
verificação dos sinais vitais, cuidados com náuseas e vômitos, diarréia, tosse
e outras disfunções respiratórias, com soluções de continuidade, afecções de
mucosas, entre outras;
Os profissionais de enfermagem não só devem ter esses cuidados com esses
pacientes, mas também com os outros pacientes para se evitar a infecção
cruzada, não apenas da Aids mas de outras doenças.
NORMAS UNIVERSAIS DE BIOSSEGURANÇA
Há pouco mais de duas décadas, os profissionais de saúde não eram
considerados categoria de alto risco para acidentes de trabalho. A partir da
epidemia da Aids, na década de 1980, as normas para questões de segurança no
ambiente de trabalho foram mais estabelecidas para profissionais que atuam na
área clínica. De todos eles, a equipe de enfermagem é a mais suscetível à
exposição a materiais biológicos, como fezes, urina e sangue. De fato
constituímos uma categoria hegemônica nos serviços de saúde em termos
quantitativos, além de despertarmos grande parte de nosso tempo na assistência
a clientela, realizando uma grande quantidade de atividades e procedimentos.
Nesse sentido,
cabe aos profissionais de saúde adotar condutas que evitem a exposição a
materiais biológicos. Algumas delas foram classificadas como normas universais
de biossegurança.
Suas medidas que visam a prevenção de riscos biológicos inerentes a
algumas doenças transmissíveis, utilizadas sempre que houver possibilidades de
contato com sangue, secreções e excreções, mucosas e pele não-íntegra. Essas
medidas incluem o uso de equipamentos de proteção individual ( EPIs), e
cuidados com manipulação e descarte de materiais perfuro cortantes contaminados
com material biológico.
Embora existam as normas de Prevenção Padrão, alguns profissionais entram
em contato com o material biológico, seja pelo fato de terem ignorado as
normas, por não possuírem material adequado na instituição, ou por tê-las
empregado inadequadamente. Apesar das estatísticas mostrarem uma baixa taxa de
infecção ocupacional pelo HIV, quando comparado com as demais infecções
ocupacional pelo HIV quando comparado com as demais infecções torna-se
relevante o conhecimento e a utilização das normas de Prevenção Padrão, uma vez
que a Aids é uma doença que pode ser transmitida através de sangue, secreções.
PREVENÇÃO
Precisamos ser bem claros que a epidemia de HIV/AIDS ultrapassa
fronteiras geográficas e sociais. Ela é altamente dinâmica e instável, porque
depende em grande parte do comportamento humano individual e coletivo. É com
essa dimensão tão diversa e ampla que a enfermagem trabalha na questão da
prevenção. Junto aos indivíduos, defrontar-nos
necessariamente com aspectos pessoais, amplamente influenciados pelo
comportamento individual e pelos costumes sociais- como: relações sexuais,
troca de sangue entre usuários de drogas injetáveis, gravidez e amamentação.
As principais estratégias de prevenção empregadas pelos programas de
controle envolvem:
● promoção do uso de preservativos ( masculinos e femininos) de forma
correta;
● promoção do uso de agulhas e seringas esterilizadas e descartáveis
entre os usuários de drogas injetáveis;
● controle do sangue e derivados através dos métodos de triagem( clínicos
e sorológicos) em bancos de sangue;
● adoção de cuidados na posição ocupacional a material biológico;
● manejo adequado de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs);
● identificação de gestantes HIV- positivas e acompanhamento no ciclo
gravídico- puerperal.
FORMAS DE TRATAMENTO
Apesar da Aids ser um doença que ainda não exista cura, existe
tratamentos eficientes e que controlam a doença. Pessoas portadoras do vírus
HIV, devem procurar ajuda médica, tentar conhecer a doença e jamais perder a
esperança, afinal, de 1981 até hoje, já se passaram muitos anos, estamos num
novo milênio e a medicina evolui a cada
dia.
Em 1986 acontece a grande revolução, suje então no mercado o primeiro
tratamento a azidotimidina(AZT), esse tratamento abre as portas para outros. Já
em 1997 um novo esquema terapêutico surge um coquetel de anti-retrovirais onde
foi comprovado a melhoria dos portadores do HIV.
Os medicamentos que fazem parte deste coquetel são: AZT, os inibidoresda
protease: indinavir(Crixivan); ritonavir(Norvir); saquinavir(Invirase ou
Fortovase); nelinavir(Viracept); amprenavir(Agenerase); lapinovir(Kaletra); os
inibidores da Transcriptase Reserva Nucleosídeos: zidovudina(Retrovir ou AZT);
didanosina(Videx ou ddl); zalcitabina(Hivid ou ddC); estavudia(Zerit ou d4T);
lamivudina(Epivir ou 3TC); combuvir(AZT + 3TC); abacavir(Ziagen); Trizivir(AZT
+ 3TC + abacavir); os inibidores da transcriptase Reversa Não Nucleosídeos:
nevirapina(Viramune); efavirenz(Sustiva); delavirdina(Rescriptor). Estes são os
medicamentos que compõem o coquetel contra o vírus HIV.
CONCLUSÃO
Este trabalho teve como objetivo de mostrar às pessoas e aos acadêmicos
de enfermagem, de como é o mecanismo da Aids no nosso organismo, de como ocorre
a transmissão, tratamento, e como deve ser feito os procedimentos de enfermagem
junto a esses portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, também foi
abordado neste trabalho como prevenimos contra essa doença tão temida desse
século . Conclui-se que qualquer pessoa esta susceptível em se contrair a Aids
se não tomar as medidas de prevenção adequadas, seja elas, por meio do uso de
preservativos durante o sexo, o uso de seringas descartáveis, e se for
profissional de saúde seguir sempre as normas universais de segurança.
Portanto temos que ficarmos sempre atentos à nossa segurança como também
a segurança do nosso paciente, tendo sempre a consciência de seguir sempre as
regras de assepsia em todos os procedimentos que nós profissionais de saúde
quando realizarmos.
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