Artrópodes
A classe dos
aracnídeos compreende os artrópodos que possuem quatro pares de patas, dois
pares de peças bucais (quelícias e pedipalpos) e de hábito terrestres. São eles
as aranhas, escorpiões, pseudo-escorpiões, escorpiões vinagre, salpúgidos,
carrapatos, ácaros e outros grupos de menor representatividade.
Artrópodes
de interesse sanitário
·
Aranhas.
Exemplo:
Loxosceles sp, Phoneutria sp (Aranae: Araneidae);
·
Sarcopta.
Exemplo: Sarcoptes scabiei ( Acarina: Sarcopitidae);
·
Carrapatos.
Exemplo: Amblyomma cajanneense (Acarina: Acaroidae);
·
Escorpiões.
Exemplo:
Tityus serrulatus (Scorpiones: Scorpionidae);]
Aranhas
Inocula
o veneno por meio de suas picadas. Os casos fatais são raros e assim mesmo só
ocorrem em pessoas de pouco peso, debilitadas ou em más condições físicas.
Entre
as aranhas que causam acidentes com maior frequência, as espécies que têm maior
importância são as seguintes:
·
Loxosceles
gaúcho e L. intermédio: sua picada produz dor local, que aumenta
gradatividade, acompanhada de edema, rubor, equimose regional e finalmente
necrose do local;
·
Phoneutris
nigriventer: produz dor imediata e muito imensa no local
da picada e ocasionalmente, se verifica rubor e edema no local;
·
Viúva
negra (Latrodectus curacariensis): dor local imediata e muito
intensa, dores musculares, náuseas, vômitos, dificuldade de visão, podendo levar
o indivíduo à morte por choque;
O
controle das aranhas deve ser buscado limpando-se sistematicamente o domicílio
e peridomicílio (evitando-se entulhos) e também pela aplicação de inseticidas
nos locais que servem de esconderijo e criadouro.
·
Sarcoptas
O
Sarcoptes scabiei é o agente etiológico da sarna ou escabiose. As fêmeas vivem
em galerias ou túneis cavados na pele, onde depositam os ovos. São parasitas
permanentes e obrigatórios, localizando-se de preferência onde a pele é mais
fina: espaços interdigitais, face anterior do antebraço, dobra do cotovelo,
axilas, órgãos genitais, seios, nádegas e faces internas das coxas. Em grandes
infecções pode atingir o corpo todo, exceto o rosto. A transmissão da sarna
dá-se pela passagem da fêmea fecundada, seja por contato corporal, seja por
meio de roupas do corpo ou da cama, preferencialmente à noite, quanto é maior a
atividade dos parasitas. A doença se caracteriza-se por coceiras intensas. É
tratada com loções ou pomada compostas de elementos capazes de destruir o
parasita, sob orientação médica.
O
importante para o controle do artrópodo é a higiene pessoal. Em caso de
epidemia, a roupa deve ser lavada em água quente. Para orientações terapêuticas
dos indivíduos deve-se procurar os serviços locais de saúde.
·
Carrapatos
São
arredondados e achatados no sentido dorsoventral estando a cabeça e o tórax
fundidos em uma só peça. Os dentes são recurvados, permitindo sua fixação no
hospedeiro, ao picar para sugar o sangue. São responsáveis pela transmissão de
algumas riquetsioses.
O
combate aos carrapatos é feito pela aplicação de substâncias carrapaticidas nos
animais domésticos, especialmente o gado e os cavalos.
·
Escorpiões
Embora
os escorpiões não sejam vetores de doenças, inoculam veneno que de acordo com a
espécie pode ser fatal. Todavia, sua abordagem pelo saneamento se dá por serem
encontrados em entulhos de obras e outros objetos de forma desorganizada no
peridomicílio e domicílio.
Em
certas espécies, cujo veneno é do tipo menos tóxico, os sintomas após a
ferroada consistem numa dor repentina e aguda, seguida de uma dormência na área
atingida, que logo se torna edemaciada. Esses sintomas passam após um ou duas
horas, sem maiores consequências.
Os
escorpiões considerados venenosos são os Tityus serrulatus “escorpião amarelo”,
de hábito domiciliar e o Tityus bahiensis “escorpião marrom”, que vive mais nos
campos, cerrados e matas poucos densas. O veneno dessas espécies apresenta
qualidades neurotóxicas.
Para o controle do
escorpião devem ser contatados os serviços locais de saúde para as devidas
orientações e formas apropriada de expurgo. Cuidados devem ser tomados quanto a
limpeza e higiene do peridomicílio e domicílio.
Uso de inseticidas no controle de
artrópodos
Requisitos para um bom inseticida:
·
Pouca toxidez para o homem e os animais;
·
Eficácia no combate a grande variedade de
insetos de mesmo hábitat ou hospedeiros comuns;
·
Propriedade residual de longa duração;
·
Baixo custo;
· Capacidade de emprego em fórmulas diversas;
·
Facilidade de utilização;
·
Não ser repulsivo para o homem;
·
Efetividade em doses baixas;
·
Resistência à umidade, à temperatura e à luz;
·
Ter material orgânico sintético como base e
não estar sujeito a variações em sua composição e em sua atividade biológica.
Tipos de inseticidas:
Quanto à toxidade podem ser:
Tóxicos por via respiratória:
·
Modo
de ação: entram no organismo do inseto e são transportados até o
sistema respiratório.
·
Uso:
muito
empregados como praguicidas com fins especiais, mas não como larvicidas.
Tóxicos por via digestiva:
·
Modo
de ação: devem ser ingeridos pelos insetos e absorvidos pelo seu
sistema digestivo.
·
Uso:
é
utilizado como praguicidas para fins especiais, mas não mais como larvicidas.
Tóxicos por contato:
·
Modo
de ação: atravessam a parede do corpo do inseto.
·
Quanto
à composição química:
-
Inorgânicos: não são usados como larvicidas; alguns, como os compostos de
mercúrio, contaminam o ambiente.
-Naturais/
Orgânicos:
-Produtos
extraídos de petróleo:
Modo de ação: são
tóxicos e sufocam.
Uso:
amplamente usados como larvicidas.
·
Piretro:
Modo de ação: veneno
neuromuscular.
Uso:
como ação larvicida.
·
Alcalóides:
Modo de ação: veneno
neuromuscular.
Uso:
alguns são usados como praguicidas.
Compostos organoclorados:
Constituem o grupo químico de
inseticidas pioneiro, largamente utilizado no controle de artrópodos. A maioria
dos compostos deste grupo foi desenvolvido entre as décadas de, e deriva do
cloro, hidrogênio, carbono, e eventualmente de oxigênio. Atuam por ingestão de
contato, e por mecanismos não muito bem esclarecidos, bloqueando a transmissão
dos impulsos nervosos.
·
Modo
de ação: veneno neuromuscular, onde a maioria atua como veneno
estomacal, por contato e fumigantes.
·
Uso:
muito limitado e não como larvicidas. É proibido em virtude do efeito
acumulativo no ambiente e em organismos que intervém na cadeia alimentar.
Insetos
Cerca de três quartos das poucos
mais de 1 milhão de espécies de animais descritas no mundo são insetos. Isto é
um bom indicativo do sucesso evolutivo desse grupo de animais e não pode ser
ignorado pelo homem nas ações pretensiosas de eliminação dos insetos do
ambiente urbano e rural.
Há uma variedade imensa de ambientes
em que os insetos se adaptaram a viver, incluindo os ambientes criados pelo
homem no processo de ocupação do território, e continuam se adaptando às
modificações produzidas pelo homem no ambiente. Exemplos curiosos são o uso das
calhas das casas pelo mosquito para oviposição ou o uso de tubulações elétricas
para colonização dos prédios pelas baratas da espécie. A grande maioria dos
insetos que encontramos em nosso caminho não é considerada pragas por não
causarem danos à saúde ou repulsa.
Portanto, a convivência equilibrada
com os insetos é esperada em qualquer ambiente, sendo muitas vezes necessária,
e somente as infestações desequilibradas devem ser combatidas. A compreensão da
naturalidade da convivência com os insetos é essencial para que medidas
corretas de controle sejam tomadas.
Baratas
Baratas domésticas são aquelas que
vivem dentro de resistências (domicílios ou estruturas construídas pelo homem),
no peridomicílio (dessas estruturas) e tais como caixa de gordura, esgoto,
bueiros e outros locais úmidos e escuros.
As espécies de baratas mais comuns
em domicílios no Brasil são:
·
Periplaneta americana (Linnaeus) – barata de
esgoto
·
Blatella germânica (Linnaeus) – barata alemã
As seguintes recomendações propiciam um
controle preventivo das baratas ou a diminuição da infestação, no caso de já se
encontrarem no ambiente:
·
Verificação dos locais onde há acúmulo de
lixos recolhendo-os ou fechando-os hermeticamente, devendo manter a casa sempre
limpa e o terreno em volta sempre capinado. Remover diariamente todo o lixo em
sacos plásticos, principalmente restos alimentares. Lavar periodicamente a
lixeira, mantendo-a seca e bem fechada.
·
Conservação dos alimentos de modo a impedir o
alcance das baratas. Doces, pães, biscoitos devem ser guardados em vasilhas bem
fechadas ou na geladeira.
·
Limpeza periódica (quinzenal) de caixas de
gordura, mantendo-as sempre bem fechadas.
·
Eliminação dos abrigos rebocando-se ou
vedando com silicone frestas e outras fendas e eliminação de mesas e armários
de madeira das áreas de alimentação. As frestas de armários de cozinha, em cima
e abaixo da pia, devem ser vedadas e deve ser feita limpeza periódica do
interior destes armários.
·
Limpeza diária do fogão e embaixo da
geladeira e manutenção da bancada da pia bem seca e limpa durante a noite.
· Revisão de mercadorias e o descarte total de todas as embalagens de papelão ou de madeira usadas para o transporte de alimentos (insetos adultos ou seus ovos são disseminados desta maneira).
·
Eliminação/inspeção dos locais de acesso,
tais como: conduítes elétricos, canalizações de águas pluviais, interruptores
de luz, saídas de telefones, etc. Manter bem justas as tampas, trocando os
espelhos de tomadas ou interruptores quebrados.
·
Limpeza periódica dos ralos da cozinha, área
de serviço e banheiros que devem ser do tipo abre e fecha para impedir a
passagem de insetos quando em desuso.
·
Vedação de borracha em todas as portas que
dão para o exterior das edificações.
Os
habitats preferenciais das baratas são perto das fontes de calor e abrigos como
motores de geladeira, freezer, fogões, fornos, coifas, estufas e outros
maquinários, locais com pouca ou nenhuma luminosidade. Portanto, deve-se sempre
examinar armários, gabinetes, guarnições de portas, prateleiras, quadros de
energia elétrica, forros, sob pias e bancadas, depósitos, ralos, caixa de
inspeção em cozinhas, rede de tubulações, lixeiras, nos pés e sob os balcões e
mesas. Verificar as borrachas de portas de freezers e geladeiras, gabinetes e armários
cujas fórmicas estejam soltas ou o compensado esteja muito úmido e dilatado.
Métodos de Controle
A estratégia básica de controle
implica na adoção de medidas de saneamento do meio, conforme visto em medidas
preventivas de controle, e aplicação de inseticidas nas áreas de abrigo do
inseto.
Hoje em dia existem vários tipos de
formulações inseticidas que podem ser aplicadas com segurança no ambiente
doméstico, desde formulações líquidas, até sólidas (iscas a base de gel,
grânulos, armadilhas, etc.).
A aplicação de inseticidas deve ser
orientada para os locais de abrigo destes insetos, assim como frestas e
ranhuras existentes na estrutura. Podem ser aplicados também em superfícies,
visando os locais por onde a barata supostamente irá caminhar (aplicações em
banda, nos cantos de paredes e aplicações ao redor do domicílio ou
peridomiciliar).
Formigas
As formigas são insetos sociais que
vivem em colônias. No Brasil estão catalogadas mais de 2000 espécies.
Todas as formigas picam. Algumas têm
ferrão podendo sua picada gerar processos alérgicos.
Certas espécies podem afetar
negativamente o homem, infestando casas ou apartamentos, causando incômodo,
atacando alimentos ou provocando danos às estruturas por causa de suas
atividades na construção de ninhos. Elas ainda alteram a aparência de gramados,
campos de futebol e parques com suas numerosas colônias.
Controle de formigas cortadeiras
Controle Mecânico
Este tipo de controle somente é
viável quando o formigueiro ainda é jovem. Consiste na retirada do ninho
escavando-se o local até encontrar a (s) panela (s) de fungo juntamente com a
rainha. É um controle efetivo principalmente quando a área infestada é pequena.
Pode-se também fazer uso de um cone invertido, de qualquer material resistente
com graxa na parte interna (borracha, plástico ou lata) preso ao tronco da
planta para impedir a subida das formigas no vegetal.
Controle Químico
O controle químico pode ser efetuado por meio
de iscas granuladas, pós secos, líquidos termonebulizadores ou gases liquefeitos.
Moscas
Uma espécie de muito interesse para
o saneamento é a mosca doméstica. Ela tem como característica, ao alimentar-se,
lançar sua saliva sobre os matérias sólidos, para dissolvê-los e, depois
aspirá-los. Os alimentos recém-ingeridos acumulam-se na região esofagiana.
Depois, aos poucos, a mosca regurgita esse material para encaminhá-lo ao
estômago.
As pernas das moscas terminam com
para de garras, pelos glandulares e espinhos plumosos. Esse conjunto de
estruturas adesivas são responsáveis pelo transporte mecânico de germes de um
lugar para outro, facilitando a contaminação do alimentos humanos, após as
moscas terem frequentado o solo ou dejetos deixados a descoberto.
Também por via digestiva podem
propagar doenças quando defecam após a alimentação, onde pousam.
As fêmeas põem, de cada vez, de 100
a 150 ovos alongados e o ovopositor depositados em lugares escondidos onde haja
matéria orgânica em decomposição ou fermentação, como: lixo, esterco de
animais, fezes humanas, resíduos vegetais, etc.
As moscas têm grande capacidade de
vôo, percorrendo até 10 km em 24 horas, alcançando um bom poder de dispersão.
Apresentam hábitos diurnos, procurando lugares eliminados e quentes. Aceitam
qualquer tipo de alimento, desde que líquidos ou solúveis em sua saliva. São
atraídas tanto pelo lixo e esterco como pelo leite, substâncias açucaradas e
alimentos humanos.
Do ovo saem larvas alongadas em
menos de 26 horas e à temperatura geralmente acima de 15° C. Crescem
rapidamente mudam de “pele” (ecdise) por diversas vezes e alcançam o tamanho
máximo de 1 cm. Abandonam o ambiente onde se encontram e buscam em todas as
direções um lugar seco, de terra batida ou área cimentada, transformando-se em
pupas. A fase larval dura de três a quatro dias e a fase pupal de quatro a
cinco dias.
A mosca adulta no verão vive cerca
de um mês aumentando o tempo de vida nos meses mais frios.
Medidas de Controle
·
Permanentes:
consistem
na eliminação de meios favoráveis à procriação de moscas. Exemplo: a disposição
sanitária adequada do lixo e dos dejetos e a construção de estrumeiras;
·
Temporária: consistem
no envenenamento das larvas e das pupas, e no combate à moscas adulta pela
captura e do uso de inseticidas.
As
medidas permanentes, principalmente as que se destinam ao controle da
procriação, são as mais eficientes. Entretanto, outros meios devem ser adotados
visando a impedir o acesso de moscas às habitações, aos estabelecimento de
gênero alimentícios e aos locais de trabalho.
As
estrumeiras à prova de moscas geralmente são dotadas de plataformas de concreto
cercadas de água, de modo que a larva não alcance a terra para transformar-se
em pupa.
As
estrumeiras à prova de moscas geralmente são dotadas de uma cobertura com tela,
a fim de evitar qua as moscas se aproximem do esterco e que as larvas nele
existentes possam escapar à ação do calor durante a fermentação.
Pode-se
fazer estrumeiras mais simples, colocando-se o estrume em montes e cercando-os
com canais de concreto, onde circula água permanentemente.
A
proteção da habitação visando a impedir o acesso da mosca ao alimento do homem
poderá ser feita seguintes processos:
·
Telando portas e janelas nas áreas
infestadas;
·
Usando portas duplas na entrada, havendo um
pequeno vestíbulo entra a primeira e a segunda providas de mola para fechamento
automático;
·
Protegendo diretamente os alimentos para
impedir o acesso das moscas;
·
O
envenenamento das larvas e das pupas é feito pela aplicação de produtos químicos
nos montes de esterco, no lixo, nas fezes e em locais onde as moscas possam
procriar e pousar.
·
Um produto comumente utilizado é o bórax
(borato de sódio), um sal derivado do ácido bórico, que deve ser aspergido
sobre a estrumeira na proporção de 1k por m.
·
A água fervente é usada com bons resultados
em pequenos focos.
·
Armadilhas: são alçapões que constam de uma
“gaiola” feita com tela fina, para que as moscas sejam atraídas ao seu
interior. Utiliza-se como isca um alimento de sua preferência.
Roedores
A luta contra os roedores é um
desafio permanente e histórico da humanidade. Os métodos de exploração da
natureza desenvolvidos pelo homem favorecem a instalação e proliferação de
roedores. Embora a maioria das espécies de roedores viva em ambientes
silvestres num perfeito equilíbrio com a natureza e fazendo parte da cadeia
alimentar de espécies predadoras (aves de rapina, cobras, lagartos) algumas
espécies de roedores adaptaram-se melhores condições ambientais criadas pelo
homem, sendo considerados roedores sinantrópicos comensais. Estas espécies,
diferente dos roedores silvestres vivem próximas ao homem, principalmente o
murídeos (Rattus e Mus), onde encontram água, abrigo e alimento para
sobreviver. Os roedores são dotados de uma extraordinária adaptabilidade,
podendo sobreviver e proliferar em condições adversas nos mais variados
ambientes. São extremamente habilidosos e resistentes, tornando–se necessário
um conhecimento aprofundado de sua biologia e comportamento, a fim de serem
controlados de uma forma efetiva.
Importância econômica e sanitária
Os roedores causam enormes prejuízos
econômicos ao homem, inutilizando em torno de 4% a 8% da produção nacional de
cereais, rações e sementes. Os prejuízos causados pelo roedor aos alimentos de
consumo humano e animal se dá pela ingestão de estragos em rações e farelos,
bem como pela roedor aos alimentos de consumo humano e animal se dá pela ingestão
e estragos em rações e farelos, bem como pela quebra parcial de grãos, pelas
roeduras. Nos campos, destroem as sementes recém- plantadas e atacam os
cereais, tanto na espigagem como depois de colhidos e armazenados. Desta forma,
podem devastar culturas de arroz, trigo, milho, cacau e cana- de- açúcar.
Em virtude de ao seu hábito de roer,
estes animais podem também causar graves acidentes, em consequência dos danos
que causam às estruturas, maquinários e materiais, podendo, por exemplo,
penetrar em computadores, fios elétricos, cabos telefônicos e ocasionar
curtos-circuitos e incêndios.
Além dos prejuízos econômicos, os
roedores causam prejuízos à saúde humana, pois são transmissores de uma série
de doenças ao homem e a outros animais, participando da cadeia epidemiológica
de pelo menos 30 zoonoses. Leptospirose, peste, tifo murinho, hantaviroses,
salmoneloses, febre da mordedura, triquinose, são algumas das principais
doenças nas quais o roedor participa de forma direta ou indireta.
Aspectos da biologia e comportamento dos
roedores
O
hábito de roer é necessário para desgastar seus dentes incisivos, que são de
crescimento contínuo. Roem também para vencer obstáculos colocados em seu
caminho, geralmente na busca de alimento ou de sítios de instalação da colônia.
São animais de hábito noturno,
necessitando de habilidades sensoriais para se locomover livremente, sair em
busca de alimento e fugir de predadores no escuro. Enxergam mal, mas apresentam
alta sensibilidade à luz, percebendo variações de claro e escuro. Entretanto,
sua habilidade olfativa é muito desenvolvida, mexendo continuamente o seu
focinho e cheirando todo o ambiente, assim localizando determinado alimento
preferido no meio de outras substâncias de menor determinado alimento preferido
no meio de outras substâncias de menor interesse ou detectando odores atrativos
ou repelentes. Seu paladar apurado e sua memória para gostos permitem que
detecte pequenas quantidades de substâncias tóxicas no alimento, uma vez
experimentado tal sabor.
A audição do rato é um de seus
sentidos mais desenvolvidos, pois reage a qualquer barulho repentino e também
ao ultra-som, ajudando a detectar e escapar do perigo com muita antecedências.
Entretanto, o tato é o sentido mais desenvolvido, suas vibrissas (bigodes)
estão em contínuo movimento, em contato com o chão, muros ou objetos próprios,
auxiliando a orientação do animal. Longos pelos tácteis ou sensitivos
espalhados por seu corpo, quando em contato com superfícies verticais,
auxiliam, também, na sua orientação.
Em caso de perigo iminente, o
comportamento de fuga se alastra em cadeia na colônia, sem que a causa real da
ameaça seja percebida por todos, bastando que um primeiro animal perceba o
perigo e inicie o movimento de fuga, sendo em seguida imitado pelos demais. Os
roedores vivem em colônias ou agrupamentos, cujo número varia conforme as
condições ambientais do território.
As espécies sinantrópicas comensais,
a ratazana (Rattus norvegicus), o rato de telhado (Rattus rattus) e o
camundongo (Mus musculus), são particularmente importantes do ponto de vista
sanitário.
O controle de vetores
O controle de roedores sinantrópicas
se baseia, atualmente, no manejo integrado, isto é, no conhecimento de
biologia, hábitos comportamentais, habilidades e capacidade físicas do roedor
associado ao conhecimento do meio ambiente onde estão instalados. Desta forma,
compreende um conjunto de áreas voltadas ao roedor a ser combatido, mas também
sobre o meio ambiente que o cerca, praticados de forma simultâneas, permitindo
o seu controle.
As diferentes fases contidas no
manejo integrado de roedores são:
·
Inspeção:
consiste
a ser controlada, buscando –se levantar informações e dados a respeito da
situação, encontrada, para melhor conhecer e orientar as medidas.
·
Identificação:
consiste na identificação das espécies infestantes, o que fornecer, pelo
conhecimento de sua biologia e comportamento, orientações a respeito do
controle a ser estabelecido;
·
As
medidas Corretivas e Preventivas: é o conjunto de medidas que
visam dificultar aou até mesmo impedir a penetração, instalação e a
proliferação de roedores. Basicamente, compreende a eliminação dos meios que
propiciem aos roedores acesso ao alimento, abrigo e água. Compreende, também,
as áreas de informação, educação e comunicação social às população o envolvida
na problemática roedor.
Para que as áreas de
anti-ratização, sejam viabilizadas, é necessário agilizar os serviços de coleta
de lixo, aprimorar a utilização de aterros sanitários e promover o envolvimento
e participação da comunidade nas atividades de prevenção e o controle,
melhorando as condições de vida e moradia da população.
·
Desratização:
compreende
todas as medidas empregadas para a eliminação dos roedores, pelos métodos
mecânicos (ratoeiras e gaiolas), biológicos (por exemplo: gatos e outros
animais predadores e utilização de bactérias letais aos roedores) e químicos
(uso de raticidas).
Essas ações de combate deverão ser
acompanhadas de medidas de saneamento e controle ambiental.
Para
maior eficiência a desratização deve ser realizada paralelamente aos trabalhos
de limpeza e saneamento, a fim de se evitar a disseminação da população de
roedores.
Em
áreas endêmicas de peste e tifo murinho, recomenda-se aplicar inseticida no
local, anterior ou simultaneamente às desratização, evitando, assim, que as
pulgas dos ratos mortos, busquem outros hospedeiros, inclusive o homem.
Métodos mecânicos: pelo
uso de armadilhas que capturam o animal vivo (incruentas), como as gaiolas, e
as que produzem a morte do animal durante a captura (cruentas), Estas últimas
mais conhecidas, como ratoeiras “quebra-costas”, são de ótimos resultados
contra camundongos, mas limitadas contra ratazanas ou ratos de telhado. O uso
de ultra-som e aparelhos eletromagnéticos são também considerados métodos
mecânicos.
·
Métodos
biológicos: o uso de cães e gatos como predadores de
roedores parece não representar grande perigo aos roedores, pois estes convivem
com os mesmos, alimentando-se de seus restos de comida. Em área rural,
predadores naturais de roedores como algumas aves, carnivorors e oflidos
exercem certa atuação no controle de pequenos roedores. Já a utilização de
bactérias patogênicas ao roedor como, por exemplo, o uso de produtos raticidas
às base de Salmonella enteritidis foi proibido nos Estados Unidos em 1920, na
Alemanha em 1930 e no Reino Unido em 1960 pois presume-se que todas as cepas de
Salmonella enteritidis são patogênicas ao homem; no Brasil, seu uso não é
permitido.
·
Métodos
Químicos: raticidas são compostos químicos especialmente estudados,
desenvolvidos e preparados para causar a morte do animal.
Quanto
as rapidez de efeito, os raticidas podem ser classificados em agudos e
crônicos.
·
Raticidas
agudos: são aqueles que causam a morte do roedor nas primeiras 24
horas após a sua ingestão. Foram proibidos no Brasil, pois são inespecíficos,
alguns deles não, possuem antidoto e podiam induzir a tolerância no caso de
ingestão de subdoses pelos roedores. São raticidas agudos a estricnina, o arsênico,
o 1.080 (monofluoracetato), 1081 (fluoracetamida), sulfato de tálio, piridinil
uréia, sila vermelha, fosfeto de zinco, norbomida, castrix e antu.
·
Raticidas
crônicos: são os que provocam a morte do roedor alguns dias após a
ingestão do mesmo. São largamente utilizados no mundo devido às sua grande
margem de segurança e às existência de antídoto altamente confiável, a vitamina
K1 injetável.
Quanto as formas de apresentação dos
raticidas, podem ser classificados em:
Iscas: geralmente
constituídas por uma mistura de dois cerais, pelo menos, alimento este mais
apreciado pelo roedor (milho, arroz, cevada, centeio, etc.) Essas iscas podem
ser moldas na forma de um farináceo, peletizada formando pequenos grânulos ou
integrais contendo apenas grãos quebrados. Alguns fabricantes adicionam
substâncias atrativas às iscas como óleo de cocô e açúcar. Essas iscas devem
ser colocadas de tal modo a serem facilmente encontradas pelos roedores.
Pós de Contato: raticida
formulado em pó finíssimo, para ser empregado nas trilhas e ninhos. O pó adere
aos pelos do roedor, que lambe o corpo ao proceder a sua higiene, ingerindo,
assim, o raticida. São mais eficazes e concentrados que as iscas, devendo ser
utilizados com cuidado e atenção a fim de evitar-se contaminação de gêneros
alimentícios e intoxicações acidentais em outros animais.
Blocos impermeáveis: são
constituídos por cereais granulados ou integrais envoltos por uma substância
impermeabilizante, formando um bloco, geralmente, emprega-se a parafina para
este fim. São utilizados em galerias subterrâneas de esgoto, de água pluviais,
canais de irrigação, canalização fluviais, de fiação elétrica, na orla marítima
ou ribeirinha, nas áreas inundáveis, onde a disponibilidade de alimento não
seja muito grande. Em condições adversas esses blocos também sofrem a ação do
mofo, deteriorando-se ao longo do tempo, porém sua vida é bem maior que as
iscas comuns. Apresentam várias formas e geralmente contém um orifício que
permite amarração.
Acidentes com raticidas: raticidas
são tóxicos, porém os raticidas anticoagulantes registrados no Brasil têm
antódoto confiável e seguro. Portanto, intoxicações acidentais envolvendo
homens ou animais, podem ser revertidas, se atendidas a tempo e de forma
adequada, mas os raticidas devem ser cuidadosamente empregados para que sejam
evitados acidentes desagradáveis e irrecuperáveis. No caso de ingestão
acidental de raticidas anticoagulantes, deve-se levar o paciente prontamente a
um médico (ou veterinário se for um animal), sempre que possível, levando a
embalagem do raticida para melhor orientar a assistência médica.
Referências Bibliográficas:
·
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Doenças associadas a artrópodes vetores e
Roedores. Brasília: Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. 2014.
·
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Controle de Roedores.
Brasília: Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, 2002.
·
Disponível em: http://www.funasa.gov.br/site/
Acessado
dia: 22/05/2016.
·
Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/
·
Acessado dia: 24/05/2016.
·
FERREIRA, Aldo Pacheco. Wermelinger, Eduardo
Dias. Métodos de Controle de insetos
vetores: um estudo das classificações. Rev-
Amaz Saúde. 2013.
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